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O entrevistado de hoje é médico com especialização em oncohematologia pediátrica e Hipnoterapeuta OMNI, com vasta experiência em ajudar pessoas a superar a dificuldade de aprender inglês através da resolução de problemas emocionais e comportamentais por meio da hipnoterapia.

Estamos muito animados em ter ele aqui conosco hoje para compartilhar suas ideias e experiências sobre a transformação de vida através da hipnoterapia!

Vitoria Fontes: Antes de começarmos, gostaria de pedir que você se apresente brevemente, por favor. Pode nos falar um pouco sobre sua formação e experiência profissional?

Eduardo Melhem: Eu sou Eduardo Melhem, atuo como médico pediatra e me especializei em oncohematologia pediátrica.

Vitoria Fontes: O que te levou a se tornar uma hipnoterapeuta? Você teve alguma experiência pessoal com hipnoterapia antes de decidir estudá-la profissionalmente?

Eduardo Melhem: Foram diversos fatores que me levaram a explorar a hipnoterapia. Inicialmente, eu já estava fazendo terapia há algum tempo para tratar minha ansiedade e depressão. Durante esse processo, eu desenvolvi a ideia de que, ao atingir um determinado ponto, existia uma porta que poderia ser aberta.

Certo dia, assisti a uma reportagem sobre hipnoterapia no esporte e essa expressão ressoou comigo. Decidi experimentar a hipnoterapia como paciente, mas infelizmente a experiência não foi positiva. Apesar disso, a ideia de como a hipnoterapia poderia ajudar meus pacientes permaneceu na minha mente.

Eu passei a estudar mais sobre o assunto e, em determinado momento, tive uma ideia de que considero ter vindo do meu subconsciente ou de uma inspiração divina: a hipnoterapia poderia ser extremamente benéfica para aliviar a dor, a ansiedade e os sintomas de náusea e vômito enfrentados pelos meus pacientes pediátricos que tratavam câncer, como leucemia e linfoma.

Essa percepção me levou a fazer uma formação em hipnoterapia com o objetivo inicial de ser um adjuvante na terapia das crianças com câncer. No entanto, conforme mergulhei no estudo da hipnoterapia, fiquei cada vez mais encantado com suas possibilidades e percebi que não poderia limitar esse tratamento apenas às crianças. Senti a necessidade de oferecer suporte também para a família e para qualquer pessoa que pudesse se beneficiar desse tipo de abordagem terapêutica.

Vitoria Fontes: Como era a sua vida antes de se tornar um hipnoterapeuta? Você poderia compartilhar alguns dos seus principais desafios ou obstáculos que enfrentou em sua vida pessoal ou profissional?

Eduardo Melhem: Antes de me envolver com a hipnoterapia, eu tinha uma visão limitada sobre mim mesmo e sobre o valor do meu trabalho. Acreditava que, desde que tivesse um emprego, independentemente do salário ou da carga horária, era o suficiente. Se eu enfrentasse dificuldades financeiras, colocava a culpa em mim por ganhar pouco e trabalhar demais. Não tinha uma visão positiva sobre o meu próprio valor e como isso impactava minha vida.

No entanto, com a hipnoterapia, comecei a perceber que existia mais do que essa mentalidade limitada. Aprendi que estudar, formar-se, trabalhar e se aposentar não era apenas um caminho predefinido, mas que eu tinha a capacidade de influenciar e moldar minha jornada.

A hipnoterapia não apenas ajudou a melhorar minha saúde emocional, tratando ansiedade e depressão, mas também reduziu a necessidade de tomar múltiplos medicamentos. Passei a me sentir mais saudável emocionalmente, o que teve um impacto significativo em meus relacionamentos pessoais e profissionais, bem como na forma como me enxergo como pessoa e profissional.

Essa transformação emocional também despertou em mim a motivação para trazer a hipnoterapia como um tratamento complementar ao atendimento que já prestava. Percebi que as crianças que tratava, mesmo com altas taxas de cura no câncer pediátrico, poderiam enfrentar feridas emocionais que afetariam sua qualidade de vida a longo prazo.

Compreendi que o tratamento emocional era negligenciado nesse contexto, e a hipnoterapia se mostrou uma solução efetiva para abordar tanto as dores físicas quanto as emocionais. Foi isso que me motivou a buscar essa abordagem terapêutica e a acreditar que poderia fazer a diferença na vida dos meus pacientes.

Vitoria Fontes: Como foi para você realizar o primeiro atendimento unindo a hipnoterapia e a oncologia pediátrica?

Eduardo Melhem: Quando atendi meu primeiro paciente utilizando a hipnoterapia como complemento no tratamento de oncologia pediátrica, enfrentei algumas inseguranças e medos iniciais. Lidar com esse cenário é um pouco diferente do meu consultório de hipnoterapia, onde as pessoas buscam ativamente o tratamento e trazem suas demandas específicas.

Na oncologia, preciso ir até o paciente e explicar por que a hipnoterapia ainda não é amplamente difundida e mostrar os benefícios para que haja uma aceitação. O paciente não está necessariamente procurando por esse tipo de abordagem, pois costuma buscar medicamentos como solução. Portanto, cabe a mim oferecer algo desconhecido para ele, desmitificar a hipnose e mostrar os benefícios.

É um desafio ativo, pois preciso convencer o paciente a abandonar suas crenças pré-existentes e confiar em mim para experimentar um tratamento diferenciado. Essa tarefa de persuasão e quebra de barreiras é realmente interessante, pois envolve mudar a perspectiva do paciente em relação à hipnoterapia.

Vitoria Fontes: Ao longo da sua formação hipnoterapia, quais foram as principais lições aprendidas?

Eduardo Melhem: Aprendi algumas lições que tiveram um impacto significativo na minha qualidade profissional, independentemente de praticar a hipnose ou não. Como profissional de saúde, minha palavra carrega peso para o paciente, pois sou uma autoridade percebida. Um exemplo disso é como abordo a questão da dor. Em vez de perguntar diretamente se o paciente tem dor na barriga, pergunto como ele se sente. Dessa forma, ele tem a liberdade de expressar se está sentindo dor ou não, sem que eu induza sintomas. Essa mudança foi bastante significativa.

Outra mudança importante é em relação à narrativa. Em vez de dizer ao paciente que faremos um determinado tratamento e avaliaremos a resposta em alguns dias, digo a ele que notará uma diferença após o tratamento. Não quero criar dúvidas na mente do paciente sobre a possibilidade de melhora. Ao afirmar que estou fazendo algo para ajudá-lo e que ele realmente vai melhorar, consigo fortalecer minha relação com os pais e transmitir confiança.

Isso me ajudou a apoiar os pais, mesmo antes de aplicar a hipnoterapia. Tenho plena consciência de que, na maioria dos casos, os pais possuem um amor excessivo pelos filhos e estão dispostos a fazer de tudo por eles, especialmente as mães, que são as figuras mais presentes durante as internações. Portanto, minha abordagem permite ajudar essas mães a cuidarem de seus filhos sem que essa dedicação excessiva transmita mensagens equivocadas para as crianças.

Vitoria Fontes: Você poderia nos contar sobre um caso de sucesso em que a hipnoterapia teve um impacto positivo significativo na vida de um paciente?

Eduardo Melhem: Um caso de sucesso que marcou bastante foi o de uma mulher adulta que tinha um intenso pânico de cachorros. Ela tinha medo a ponto de se jogar na piscina com roupas, subir no topo de carros apenas para evitar a proximidade de cachorros. No início, ela acreditava que a solução era simplesmente evitar cachorros.

Durante o tratamento, conversei com ela e mostrei que poderia haver algo mais profundo por trás desse medo, pois ela não tinha nenhuma lembrança traumática envolvendo cachorros. Descobrimos que a verdadeira causa estava relacionada a um histórico de abuso na infância, em que havia um cachorro presente no quarto onde ocorria o abuso. Ela transferiu toda a dor e o trauma para o cachorro.

Na primeira sessão, conseguimos abordar essas duas questões e, na segunda sessão, consolidamos o processo de cura. Foi incrível ver a transformação dela ao longo de seis meses. Ela começou a enviar selfies com cachorros, mostrando-se abraçando, tocando e interagindo com eles. Essa mudança foi um marco significativo em sua vida.

Ela se sentiu segura e curada quando, em uma situação noturna, um cachorro de rua se aproximou correndo e latindo atrás dela. Instintivamente, ela disse “sai cachorro” e percebeu que não sentiu medo ou pânico naquele momento. Essa experiência confirmou que ela estava verdadeiramente curada.

Esse caso de sucesso foi extraordinário, pois nos mostrou como um medo aparentemente simples, como o medo de cachorros, pode ter uma causa complexa por trás. Foi incrível ajudá-la a resolver suas dores emocionais e superar seu medo. Ela se sentiu tão transformada que concordou em gravar um depoimento em vídeo alguns meses depois. Ela desejava compartilhar sua história para inspirar outras pessoas que possam enfrentar desafios semelhantes. A cura dela foi um verdadeiro testemunho de como a hipnoterapia pode trazer uma resignificação poderosa e duradoura.

Vitoria Fontes: Antes de encerrarmos, te agradeço pela disponibilidade, comprometimento com a OMNI em nos ajudar a transformar vidas!

Eduardo Melhem: Fico feliz em poder compartilhar essas informações e experiências com você. Agradeço o convite e estou à disposição para qualquer outra questão que possa surgir. Tenha uma ótima tarde! Abraço e até mais! Tchau!

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